Para Fiesp e Ciesp, ainda há um "colchão" de atividade a recuperar. De acordo com as entidades, o setor já se prepara para acompanhar PIB de 6% sem pressão inflacionária.
Após fechar o último ano com queda de 8,6% em relação a 2008, como efeito da crise que se abateu sobre a economia brasileira, a atividade industrial em São Paulo mostrou em janeiro que deverá prosseguir em sua trajetória de recuperação.
Sem ajuste, houve queda de 4,5% em relação a dezembro, normal para o período. Assim, o dado dessazonalizado aponta aumento de 0,4% no Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista.
"É um resultado que não traz surpresa à trajetória que estávamos percorrendo, de recuperação", resume Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades.
Crescimento de dois dígitos
A atividade industrial percorreu uma reta acentuada de crescimento a partir do segundo trimestre de 2009, mas a arrancada não foi suficiente para conter o saldo negativo no fechamento do ano, cujo desempenho ainda ficou abaixo do nível pré-crise em 6%.
"Certamente teremos um crescimento de dois dígitos neste ano, mas é preciso lembrar que parte desse efeito se deve à grande perda ocorrida no final de 2008. Ainda temos um 'colchão' a recuperar", pondera Francini, que aposta em uma alta de 13% a 14% para o INA em 2010.
A alta de 18% obtida na comparação com janeiro de 2009 é expressiva, mas não surpreende, se considerado o fraco desempenho do período passado diante da crise financeira. Mas Francini garante que há elementos suficientes para sustentar o forte crescimento esperado para a indústria em 2010.
"As bases da demanda estão firmes, com o aumento contínuo da renda, apoiado na alta do emprego e na expansão do crédito. A demanda forte, por sua vez, carrega o emprego, que é um dos pilares do crescimento. É um ciclo virtuoso".
Financiamento para máquinas e equipamentos
O bom cenário que se projeta para a indústria, segundo Francini, já é a própria garantia de que o setor se prepara para acompanhar o PIB de 6% aguardado para este ano, sem que haja pressão inflacionária.
Um número importante comprova essa capacidade: o desembolso do BNDES Finame, carteira para financiamento de máquinas e equipamentos, atingiu R$ 7,1 bilhões nos últimos três meses de 2009, superior à média de 2008 (período pré-crise) em 28,2%.
"O empreendedor foi às compras. A indústria está enxergando o crescimento à frente e corre para se reequipar, aumentar e modernizar o processo produtivo, e isso é sadio", analisa Paulo Francini. "Há condições satisfatórias de atender à demanda futura sem criar pressões inflacionárias, e por isso somos frontalmente contrários ao aumento dos juros neste momento", completa o diretor, referindo-se à taxa Selic.
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