Os preços no comércio paulistano, calculados pelo Índice de Preços no Varejo (IPV) da Fecomercio, tiveram queda de 0,05% em dezembro ante a elevação de 0,11% em novembro. Com este resultado, o indicador acumula variação positiva de 0,46% em 2009, patamar bastante inferior ao registrado em 2008, quando o indicador acumulou alta de 4,75%.
“Esse resultado demonstra que o varejo, quando conta com medidas de desoneração fiscal e de estímulo à prática de preços mais acessíveis, imediatamente responde com a transferência desses benefícios para o consumidor, mostrando também a contribuição decisiva do setor para o sucesso das metas de inflação geral”, afirma Júlia Ximenes, economista da Fecomercio.
Dos 21 grupos analisados pelo IPV, nove finalizaram dezembro com queda nos preços. O segmento de Supermercados, com o maior peso na formação do índice geral, finalizou 2009 com variação acumulada de 0,15%. Em dezembro, o grupo acusou redução de 0,69%, influenciado pelas quedas do Leite (-2,63%), Frutas (-3,18%), Ovos (-3,32%), Aves (-3,63%), Conservas (-3,86%) e Tubérculos (-11,53%). Segundo Júlia, os preços mais baixos foram favorecidos pelo término da entressafra de alguns produtos, como o leite, os tubérculos e algumas frutas cítricas, que apresentaram variações significativas nos meses anteriores e agora retomam seus patamares normais.
“Com o excesso de chuva, os preços das Verduras e Legumes devem subir nos próximos meses”, avalia a economista.
Outro item que apresentou queda foi o de Eletroeletrônicos, com -1,52% em dezembro. As reduções mais relevantes foram as observadas em Telefonia (-2,79%), Informática (-1,47%) e Produtos de Imagem e Som (-1,28%). O segmento atingiu redução de 4,50% no acumulado de 2009, segundo Júlia, por conta da valorização do Real frente ao dólar, que exerce um papel importante nos preços destes artigos.
O benefício fiscal do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), no segmento de Móveis e Decorações, surtiu efeito importante nos preços destes artigos, recuando 0,37% contra a elevação de 0,40%, constatada em novembro. A atividade fechou o ano de 2009 com alta acumulada de 2,46%.
Outros segmentos que finalizaram dezembro com preços inferiores foram: Veículos (-0,01%) Drogarias e Perfumarias (-0,18%), Eletrodomésticos (-0,20%), CDs (-0,39%), Brinquedos (-0,17%) e Óticas (-0,07%).
Preços em alta
O setor de Vestuário, Tecidos e Calçados contribuiu para que o IPV não acusasse queda maior em dezembro, ao finalizar o mês com elevação de 0,47%. Júlia destaca que o período costuma anteceder as liquidações de queima de estoque da coleção primavera-verão e, com o aquecimento das vendas no final do ano, os preços ficam mais altos. O setor atinge incremento de 0,61% no acumulado do ano passado.
Outro segmento que sinalizou alta no IPV em dezembro foi Combustíveis e Lubrificantes, com 0,69%. O setor fechou 2009 com alta de 3,87%. Lubrificantes apresentaram alta de 0,49% e Combustíveis, 0,70% (sendo 2,62% em Álcool Combustível e 0,45% Gasolina). “O resultado ainda é influenciado pela redução de oferta de cana-de-açúcar no mercado interno por conta de uma valorização do produto no mercado externo, fazendo com que os produtores destinem sua produção às exportações”, explica a economista.
Júlia acredita que os preços dos combustíveis tendem a ser barateados ou, no mínimo, mantidos, tendo em vista a alteração da composição da gasolina, cuja porcentagem de álcool caiu de 25% para 20%.
Feiras finalizaram o ano de 2009 com a maior variação no acumulado do período: 14,28%. Apesar dessa elevação, o peso deste segmento na composição do IPV é de apenas 2,51%. Em dezembro, os preços dos produtos comercializados em Feiras tiveram elevação de 2,18%, influenciados pelo excesso de chuvas, que prejudica a safra de alguns produtos, principalmente verduras folhosas, flores e alguns legumes e frutas. As variações mais relevantes foram percebidas em: Verduras (10,37%), Flores (4,60%), Legumes (2,77%), Aves (1,29%) e Frutas (0,65%).
O setor de Padarias apresentou, em dezembro, alta de 0,38%, influenciado pelo aumento em Bebidas (1,33%) e Panificados (0,57%). No ano, a atividade acumula alta de 9,46%. Segundo Júlia, a variação registrada nos preços dos cigarros, por conta do reajuste e de um aumento de impostos nos meses de maio e abril, foi a principal responsável por este comportamento de Padarias no ano.
Outros segmentos que finalizaram dezembro com preços mais elevados foram: Relojoarias (1,91%), Material de Construção (0,47%), Autopeças e Acessórios (1,07%), Material de Escritório e outros (0,86%) e Açougues (0,18%).
Maiores destaques do ano
10 MAIORES QUEDAS - ACUMULADO 2009 |
Produto | Grupos | Variação |
Carnes Suínas | Supermercados | -19,94% |
Cereais | Supermercados | -19,92% |
Aves | Supermercados | -13,95% |
Automóveis Usados | Veículos | -13,90% |
Carnes Suínas | Açougues | -10,71% |
Motocicletas Usadas | Veículos | -10,28% |
Telefonia | Eletroeletrônicos e outros | -9,31% |
Linha Branca | Eletrodomésticos | -8,72% |
Carnes Bovinas | Supermercados | -5,46% |
Ovos | Supermercados | -5,46% |
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10 MAIORES ALTAS - ACUMULADO 2009 |
Produto | Grupo | Variação |
Tubérculos | Supermercados | 52,10% |
Adoçantes | Supermercados | 47,34% |
Tubérculos | Feiras | 30,74% |
Outros Produtos | Padarias | 25,73% |
Verduras | Supermercados | 20,93% |
Verduras | Feiras | 20,53% |
Legumes | Supermercados | 16,02% |
Flores | Feiras | 14,81% |
Frutas | Feiras | 12,06% |
Bebidas | Padarias | 10,80% |
Nota Metodológica
O Índice de Preços no Varejo (IPV) é apurado mensalmente pela Fecomercio desde 1992, tendo sido atualizado periodicamente de forma a se manter moderno e adequado ao perfil do varejo. Os dados são coletados junto a cerca de 2.000 estabelecimentos comerciais no município de São Paulo, contemplando 21 segmentos varejistas e 450 subitens pesquisados. A pesquisa conta com uma amostra mensal de aproximadamente 105 mil tomadas de preços. O indicador tem como objetivo acompanhar as variações relativas de preços praticados no comércio varejista em seus vários ramos de atividade. Os resultados obtidos, de forma bastante ampla e precisa, são úteis para o acompanhamento da variação de preços ao longo do tempo em diferentes setores do varejo, além de permitir a análise da evolução dos custos ao consumidor de acordo com o tipo específico de consumo. Permite também à indústria conhecer a evolução dos preços praticados no varejo, auxiliando na determinação de margens adequadas para a formação do preço de venda.
Sobre a Fecomercio
A Fecomercio (Federação do Comercio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Representa 152 sindicatos patronais, que abrangem cerca de 600 mil empresas e respondem por 11% do PIB paulista – cerca de 4% do PIB brasileiro – gerando em torno de cinco milhões de empregos.
Texto: Adriana Dorante
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